sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Súplica de um sonho


Não me acordes, por favor.
Peço-te, deixe-me aqui algum tempo, envolta na penumbra insaciável.
Quão incrível seriam os dias, se de noite fossem feitos.
A luz que faltaria da estrela maior, facilmente esquecida, fronte o brilho dos teus olhos.
O calor que invade a aurora não seria necessário perante o abrigo dos teus braços.
Para que despertar, então?
Deixa-me aqui, faz silêncio, apenas acolhe-me em teu peito.
E se meus olhos não se abrirem, não te assustes.
Não me chame, não pergunte.
São os espelhos dessa alma, descansado em tua mente.
Saiba-me aqui, apesar da escuridão.
Sinta-me, e não me veja.
Toque-me, e não me procure.
Somente a madrugada será testemunha dos meus desvarios, e só nela encontro o ardor e a calma para os meus anseios.
E se o clarear do firmamento se fizer presente em nossa janela, esqueça-o.
É apenas o Sol, nos espiando, invejoso que está da dádiva que tem a Lua, por poder acompanhar-nos a satisfação que só encontramos no negro do céu.
Ouça.
Ouça meu apelo desmedido e o quanto imploro a ti.
Deixa-me assim.
Cala-te em meus lábios, ou leva-me contigo.
Pois que se, lá fora, fizer-se o magnífico espetáculo do crepúsculo,
aqui dentro meu raiar findará.
Não escute o chamado maldoso do dia que se faz, fica aqui.
Fica perto.
Sei que a hora de partires se aproxima, mas quero ter-te, ainda.
Se fosse possível, seria eu a própria noite, e sempre comigo estarias.
No entanto, não há disfarces para a luz da natureza.
Só peço-te, não me acordes.
Desperta-me quando o abominável Astro-rei esconder-se,
e novamente tua presença se fizer, imponente, ao meu lado.
Até lá:
NÃO PERTURBE.

Texto escrito em 11/06/2008.

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