Minha flor de cerejeira.
Linda e cheia de significados.
Só floresce no tempo certo.
Alegra tudo por onde passa, faz sorrir a todos com a
delicadeza de simplesmente existir.
Mas tão linda quanto rara, dura pouco tempo. São daquelas
maravilhas sem explicação, que não podem permanecer ao nosso alcance: a gente
sabe que existe, olha, aprecia a sua presença, e vai embora.
“Até o ano que vem”, ela nos diz.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus, como já disse o
poeta.
Gente que faz com que a presença Dele se prove.
Gente que é presente na ausência.
Gente que faz parte da gente.
Gente assim, que traz lembranças recheadas de cumplicidade
em um por do sol por cima do muro, numa manhã de céu com cores de segredos
sagrados.
É pacto selado, é laço mais forte que o ferro mais bruto,
maior que a montanha mais alta, mais gostoso e mais bonito que dia de frio com
sol e chocolate quente na caneca.
Se meu coração tivesse nome, as tuas letras estariam gastas
no meu peito, de tantas vezes que já foram escritas. E borradas pelo suor do
meu rosto e pelo derramar de minhas lágrimas.
Amor? Amizade?
Sim, eu conheço.
Em poucas almas, mas com a força necessária pra
reconhecê-los a longa distância, como velhos e queridos amigos. Suficientes
para arrancar um sorriso tímido de um rosto condoído. Tão suficientes que não
deixam margem de dúvidas, e fazem o dia seguinte ter um leve e sutil sabor de
esperança.
Que fazem a minha solidão parecer um menino cheio de birra,
encolhido e emburrado no cantinho do quarto.
Texto escrito em 25/05/2010.

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