Tudo que eu quero, nesse momento, é não te querer. Nunca
quis tanto uma coisa nessa vida. Eu quero não mais chorar pensando em ti. Não
quero mais que tu sejas meu último pensamento antes de dormir e muito menos o
primeiro, ao acordar.
Eu quero sentar no sofá e que tu te sentes do outro lado.
Não quero ter que encostar-me em ti. Quero trancar a porta do banheiro na hora
do meu banho. Quero deitar-me pra dormir e ficar do meu lado da cama. Ler meu
livro em silêncio enquanto tu assistes um dos teus vídeos engraçados na
internet. E depois virar de lado e dormir tranquila, sem precisar que teus
braços envolvam-me a noite inteira. Eu quero levantar-me e que tu não estejas
mais ao meu lado, que já tenhas saído para trabalhar e feito teu próprio café.
Não quero que tenhas que me ligar a cada hora do dia só pra saber como eu estou
e o que fiz até aquele momento.
Eu quero sair para fazer compras e deixar-te em casa,
cuidando da bagunça. Quero sair do trabalho e que tu não estejas me esperando
na porta. Que eu não tenha que buscar-te na saída da faculdade. Quero sair às
sextas-feiras com as minhas amigas e que nossos assuntos nada tenham a ver
contigo.
Tudo que eu mais quero, nesse momento, é não te querer dessa
maneira. Com esse desespero... como se fosse a última vez, como se eu corresse
o risco de jamais ver-te novamente. Como se cada minuto tivesse que durar um
dia inteiro.
E eu quero tudo isso simplesmente porque, quando eu me
sentir assim, significa que tu estarás ao meu lado em definitivo. Sem mais
despedidas. E que eu poderei despir-me dessa angústia, dessa pressa, dessa agonia.
Pois saberei que, se eu perder a chance de um beijo pela manhã, eu poderei
roubá-lo a tarde. Que se tu não me abraçares a noite, eu o abraçarei de manhã e
nos amaremos antes do café. E não precisaremos fazer isso todos os dias, pois
teremos todos os outros e os que quisermos. Não quero mais precisar de ti para respirar, pois quero que sejas meu próprio ar. Eu quero sentir-me assim porque o
amo demais. Pois só assim saberei que és meu para sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário