Doce. Mais doce que caramelo, chocolate, bala de côco e céu
azul.
Doce e sútil. Doce e macio.
Gosto de proteção, de segurança, de “deixa
que eu te levo”.
Doce como mel, que escorre da boca, desce pescoço abaixo e faz
trilha no corpo. Quente e espesso. Avassalador, vendaval que passa e leva o que
vê pela frente. Mas que toca o rosto de leve, uma brisa. Brisa que entra pelos
poros, que envolve, que toma para si. Que arrepia cada pelo do corpo só de
lembrar teu cheiro, agora impregnado em minha carne.
- De onde surgiste?
- De onde surgiste?
Arrancaste-me todos os pudores, despiu-me a armadura,
tomaste minhas armas. Em um simples piscar de olhos, queres desvendar-me todos
os mistérios. Tudo que me torna o que sou e como cheguei até aqui. Em uma
fração de segundos, conheceste parte de minha caminhada, regada a passos
largos, tropeços, quedas, curvas e muitas flores. Não sei como chegaste a
tanto, não sei nem como chegaste a mim.
E daí se materializaram todos os meus desejos e guardaram em
um pacote todo lindo e embrulhado para presente?
Brinde. Não é? Mas o que foi
que comprei, que não sei, que não vi e nem me lembro, que me trouxeste de
brinde algo assim, tão valioso? Pouco me importa. Se me foi dado, troco o que quer que tenha
comprado ou ganho ou encontrado, só por esse pacotinho de brinde.
Minha caixa
de Pandora.
Sem medo e sem pensar, abri. Mas nem de longe encontrei
todos os infortúnios que promete a lenda. Tinha cheiro do que eu gosto, e veja
bem que nem eu sabia mais do que gostava. A combinação perfeita. Tantas coisas
que nem soube o que fazer com tudo... e tive medo de “gastar” tudo que tinha e
acabar. Mas como saciar o que não tem limites?
Reservo-te a graça e glória do amanhã.
Sem amarras que
seguram e sem foices que podam.
Reservo-te a ansiedade do próximo passo, da
surpresa.
Reservo-me. Para ti e para mim.
E assim, vou morar contigo dentro dessa caixa. Nela, encontrei a chave. Encontrei sinais e pontos.
Meu ponto final. Meu ponto de partida.

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